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PF cumpre 26 mandados em AL e prende prefeito irmão de PC Farias

A Polícia Federal de Alagoas (PF/AL) cumpriu seis mandados de prisão e 20 de busca e apreensão em Maceió, Barra de Santo Antônio e Porto de Pedra. Os mandados judiciais foram requeridos pela Procuradoria Regional Eleitoral em Alagoas (PRE/AL) e pela própria PF no inquérito policial que investiga fraude nas eleições municipais de Porto de Pedras. Os mandados estão relacionados a crimes eleitorais ocorridos nas eleições municipais do dia 5 no município de Porto de Pedra, onde pessoas já falecidas chegaram a votar. O prefeito reeleito da cidade, Rogério Farias, é uma das pessoas presas. Farias já está na sede da PF, onde presta depoimento. Antes de ser levado para a PF, o prefeito reeleito de Porto de Pedras se submeteu a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal de Maceió. Rogério Farias é irmão de PC Farias e do deputado federal Augusto Farias.
Também foram presos e encaminhados ao IML as pessoas identificadas como: Alisson Delfino Silva e Tiago Fonseca Soares, além do vereador Amaro Guimarães Júnior - conhecido como Boi Lambão. Uma homem identificado como Ozéias Mendes Lima Júnior, 27 anos, que seria filho de um vereador, também foi preso e passou pelo Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito. Ele negou está ligado à política em Porto de Pedra e afirmou trabalhar como motorista de van.
De acordo com o superintendente da PF em Alagoas, José Pinto de Luna, a operação foi deflagrada em apoio ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que expediu os mandados. As ações relacionadas à operação nos municípios de Maceió e Barra de Santo Antônio acontecem porque alguns dos investigados possuem casas nessas duas cidades. “A nossa operação de hoje é toda relacionada a fraudes no município de Porto de Pedra”, disse.
Cerca de 80 agentes da Polícia Federal de Alagoas e de Sergipe estão nas ruas desde às 4h para fazer cumprir os mandados.
Segundo Pinto de Luna, cerca de 150 inquéritos relacionados a fraudes nas eleições deste ano foram instaurados pela Polícia Federal em Alagoas e, em breve, novas operações podem ser deflagradas.
Segundo a procuradora Regional Eleitoral em Alagoas, Niedja Kaspary, a investigação apura um esquema de fraudes eleitorais que envolve falsificação de documentos de identidade e títulos de eleitor para beneficiar candidatos a prefeito e vereador em Porto de Pedras. As condutas dos investigados foram tipificadas como corrupção eleitoral, formação de quadrilha e falsificação de documentos públicos, todos com fim de fraudar a lisura do pleito.
A investigação foi iniciada a partir de denúncia recebida pela Corregedoria Regional Eleitoral dando conta de que casas vinham sendo alugadas em Porto de Pedras para hospedar os "eleitores" participantes do esquema. "Pelo que foi apurado, de posse dos documentos falsificados, uma pessoa votaria pelo menos quatro vezes na eleição de Porto de Pedras", explicou a procuradora Eleitoral.
No dia da eleição, 5 de outubro, um mandado de constatação de crime eleitoral e apreensão foi expedido pelo juiz corregedor do TRE, André Granja, e cumprido pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar e Polícia Civil de Alagoas. Na operação, foram presos em flagrante 13 pessoas que portavam documentos e títulos falsificados, bem como panfletos e santinhos dos candidatos investigados. Os ocupantes da residência revelaram aos policiais um esquema organizado de fraude eleitoral, inclusive identificando a pessoa responsável pela falsificação dos documentos e arregimentação dos "eleitores", que também foi presa em flagrante. Todos os presos foram levados para a PF, que instaurou inquérito para apurar o crime eleitoral.
As pessoas que estavam na casa de Porto de Pedras residiam em Maceió e também possuíam domicílio eleitoral na capital. No dia da eleição, estavam em Porto de Pedras apenas para votar fraudulentamente nos candidatos beneficiados pelo esquema criminoso.
Ainda segundo as investigações, os "vendedores de voto" foram para Porto de Pedras na véspera da eleição. Além do transporte, da hospedagem e alimento, teriam recebido R$ 50,00 por voto fraudado. A investigação também apura se recursos públicos do município foram utilizados na compra de votos e o possível uso de títulos de eleitores em nome de pessoas já falecidas.
Segundo Niedja Kaspary, as prisões temporárias foram requeridas para preservar as provas e evitar a coação de testemunhas.
Às 16 horas, representantes da Procuradoria Regional Eleitoral, Polícia Federal, Polícia Militar e do Tribunal Regional Eleitoral, farão uma coletiva conjunta no auditório da Escola Judiciária (6º andar do TRE), na Praça Sinimbu.



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